A Geomorfologia fluvial e sua importância no estudo dos cursos d’água

Postado por Ana Caroline Pitzer Jacob em 30 de janeiro, 2014 | Categorias : Meio Ambiente, Recursos Hídricos

A geomorfologia Fluvial compreende o estudo dos cursos d’água e o das bacias hidrográficas. Enquanto o estudo dos cursos d’água se detém nos processos fluviais e nas formas resultantes do escoamento das águas, o estudo das bacias considera as principais características das bacias hidrográficas que condicionam o regime hidrológico, como aspectos geológicos, formas de relevo e processos geomorfológicos, características hidrológicas, biota e uso e ocupação do solo.

A geomorfologia fluvial estuda processos e formas relacionadas ao escoamento dos cursos d’água para, a partir do conhecimento das características morfológicas e dos componentes responsáveis pela configuração natural dos rios, extrair conclusões sobre seu estado. Estudos geomorfológicos que envolvem o reconhecimento, a análise (quantitativa e qualitativa) e a avaliação dos canais podem fornecer informações importantes sobre a forma e os processos físicos atuantes no sistema fluvial.

Os principais parâmetros da geomorfologia fluvial que interferem nos cursos d’água são o transporte de sedimentos e as cheias e sua frequência. Os principais fatores que condicionam os processos de transporte, erosão e sedimentação nos rios, são: a velocidade da corrente, a declividade do leito, as características físicas dos sedimentos (tamanho, densidade e forma), a existência de pontos fixos no leito e as variações da vazão do rio, estas diretamente relacionadas com as variações climáticas. O transporte de sedimentos pode ser realizado de forma dissolvida, em suspensão e no leito do rio através do arrasto e saltação. O movimento de sedimentos dentro de bacias hidrográficas e, principalmente, dentro do canal e da planície de inundação é o foco da geomorfologia fluvial. A morfologia do canal e das planícies de inundação são resultado do movimento e armazenamento dos sedimentos.

Os canais fluviais apesar de se constituem uma pequena parcela da paisagem total possuem um significado que supera sua extensão em área. Um canal fluvial em um único local reflete a geologia, biologia, clima e hidrologia de uma bacia de drenagem que pode se estender por centenas de quilômetros a montante. Os estudos da dinâmica fluvial são essenciais, não somente para compreender a evolução das paisagens geográficas, mas também como meio para estabelecer o controle dos processos acelerados de erosão e sedimentação, resultantes da ocupação urbana.

A geomorfologia fluvial tem muito a oferecer para a gestão dos sistemas fluviais complexos. A forma de ver o mundo como um sistema hierárquico integrado, em que a consideração da escala espacial e temporal fornece o contexto para a compreensão do comportamento do sistema é um dos seus pontos fortes.

Nos últimos tempos, as atividades humanas têm aumentado seus efeitos sobre a geomorfologia fluvial, induzindo modificações, ou modificando diretamente os canais fluviais. Exemplos destas modificações estão nas obras de engenharia, para proteção de margens e controle de vazão. Esses tipos de mudanças fluviais acarretam transformações em todos os componentes da paisagem e, não raramente, acabam prejudicando o próprio homem.

A compreensão da geomorfologia fluvial contribui para racionalizar as questões que envolvem a manutenção do canal ou a requalificação de rios, concentrando-se sobre as implicações das medidas propostas na forma do canal e na estabilidade dos rios. O uso da geomorfologia é essencial no planejamento de projetos sustentáveis, pois esta ciência abrange tanto o habitat físico quanto a estabilidade morfológica do canal.

É isso aí! Até o próximo post! :D



Comentários

  • [...] Com os rios não é muito diferente. Para entender o funcionamento de um rio é necessário fazer uma busca no passado dele, por quais transformações ele passou e como ele respondeu a elas, a fim de obter a história do rio. A partir de informações históricas do rio e de sua bacia hidrográfica, é possível chegar a uma teoria interpretativa e, em conjunto com outros dados, a um diagnóstico morfológico (veja mais em A Geomorfologia fluvial e sua importância no estudo dos cursos d’água). [...]

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